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Dengue, Chikungunya e Zika: qual a diferença?

Nos últimos dias o mosquito Aedes aegypti voltou a ganhar destaque nas manchetes da mídia catarinense. Isso porque quatro pessoas foram diagnosticadas com dengue em Florianópolis. Todas as pessoas que pegaram a doença têm em comum o local de trabalho: uma empresa de transporte coletivo interestadual na parte continental de Florianópolis.

Segundo a Diretoria de Vigilância Sanitária (Dive) do Estado de Santa Catarina, estes foram os primeiros casos autóctones de dengue deste ano no estado. Isso significa que as pessoas foram infectadas por um mosquito Aedes aegypti que se reproduziu na região e não que veio de outros estados.

Em fevereiro, o relatório da Dive do Programa de Controle da Dengue apontou que só em janeiro, Florianópolis havia registrado 179 focos do mosquito Aedes aegypti. Já Tijucas, apresentava apenas sete focos do mosquito no mesmo período. Ainda que o número de focos de mosquito da dengue não sejam altos no município, os cuidados e a prevenção devem ser contínuos.

Por isso, preparamos este material para que você entenda como reduzir as chances de reprodução do mosquito Aedes aegypti, entender quais as diferenças entre as doenças transmitidas por ele e o que fazer caso suspeite estar com dengue, chicungunya ou zika. Confira!

 

Por que tanta preocupação com os focos do mosquito Aedes aegypti?

Bom, a resposta é bem simples: somente a espécie do mosquito Aedes aegypti espalha dengue, zika e chicungunya por todo Brasil. Cada uma dessas doenças tem características diferentes entre sim. Porém, têm em comum o vetor de transmissão: a fêmea do mosquito Aedes aegypti.

Segundo o infectologista Jean Gorinchteyn, o mosquito Aedes pode se contaminar e carregar até 100 vírus diferentes. E, um estudo da Universidade Estadual do Colorado publicado na revista Nature Communications em 2017, descobriu que o mosquito consegue transmitir múltiplos vírus numa única picada, como Dengue, Zika e Chikungunya.

De acordo com o Ministério da Saúde, a fêmea do mosquito Aedes aegypti precisa de sangue para a produção de ovos. É ela que suga o sangue para concluir essa etapa de reprodução. Se o mosquito fêmea da dengue estiver infectivo – ou seja, contaminado com os vírus –, vai transmitir a doença neste processo.   

 

Como identificar o mosquito Aedes aegypti

Segundo o Ministério da Saúde, o mosquito Aedes aegypti é doméstico. Tem hábitos diurnos e alimenta-se de sangue humano, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer.

A reprodução acontece em água limpa e parada, a partir da postura de ovos pelas fêmeas. Os ovos são distribuídos por diversos pontos diferentes de água, uma estratégia que garante a dispersão da espécie.

 

Outras características do mosquito são:

  • Picada indolor e que não deixa manchas;
  • Voo máximo a um metro do solo;
  • Maior que um pernilongo, tem de 5 a 7 milímetros;
  • Pica no verão e no inverno;

 

As diferenças entre Dengue, Chikungunya e Zika

A fêmea do mosquito Aedes aegypti também é responsável por transmitir os vírus da dengue, chikungunya e zika. De acordo com o pesquisador da Fiocruz Cláudio Maierovitch, estas três doenças diferentes são causadas por diferentes vírus e transmitidas pelo mesmo mosquito.

Não existe tratamento para nenhuma destas doenças, mas apenas para os sintomas que elas causa. Por isso, fique atento e caso você sinta qualquer indício relacionado com estas doenças, procure ajuda médica imediatamente e jamais se automedique.

Dengue

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti.  Segundo o Ministério da Saúde, ainda existem registros de transmissão vertical (gestante – bebê) e por transfusão de sangue.  

São quatro tipos diferentes de vírus do dengue: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, o que significa que uma mesma pessoa pode ser infectada pelos diferentes tipos de dengue ao longo da vida. A dengue pode não apresentar nenhum sintoma, ser leve ou muito grave, podendo levar à morte. Confira alguns sintomas:

  • Febre alta (39° a 40°C) e de início abrupto e dura de 2 a 7 dias
  • Dor de cabeça
  • Dores no corpo e articulações
  • Dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele
  • Dor abdominal intensa e vômitos são sinais de alarme, procure o serviço de saúde imediatamente.

 

Chikungunya

A Febre Chikungunya é uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e também pelo Aedes albopictus. No Brasil, a circulação do vírus foi identificada pela primeira vez em 2014. Segundo o Ministério da Saúde, não é possível ter Chikungunya mais de uma vez, porque a pessoa fica imune após contrair o vírus uma vez. Entre os sintomas da Chikungunya estão:

  • Febre alta de início rápido
  • Dores intensas nas articulações dos pés e mãos
  • Dores musculares
  • Dificuldade de caminhar e até de ficar de pé
  • Dor de cabeça
  • Manchas vermelhas na pele

 

Zika

O Zika é um vírus transmitido pelo Aedes aegypti e identificado pela primeira vez no Brasil em abril de 2015. O Ministério da Saúde afirma que as formas de transmissão deste vírus ainda estão sendo estudadas.

Porém, há indícios de que a doença também seja sexualmente transmissível e por isso a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um guia interino de prevenção da transmissão sexual do vírus zika.

A microcefalia, que é uma malformação do cérebro ainda durante a gravidez, também teve sua relação confirmada com o vírus da zika pelo Instituto Evandro Chagas, órgão do Ministério da Saúde. A OMS e o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos também reiteraram esta relação.

Portanto, ainda que os estudos ainda estejam em andamento, recomenda-se que mulheres grávidas tenham muito cuidado para evitar a contaminação por esta doença, especialmente nos três primeiros meses de gestação.

Aproximadamente 80% das pessoas infectadas pelo Zika não apresentam sintomas, que incluem:

  • Hipertrofia ganglionar intensa
  • Dor de cabeça
  • Febre baixa
  • Dores leves nas articulações
  • Manchas vermelhas na pele
  • Coceira e vermelhidão nos olhos

 

Como se prevenir da picada do mosquito Aedes aegypti

De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é preciso mobilizar o máximo de pessoas para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti e surtos de doenças transmitidas por ele. Confira algumas dicas da ANS:

Prevenção

  • Utilize telas em janelas e portas
  • Use roupas compridas se possível
  • Aplique repelente nas áreas expostas
  • Fique, preferencialmente, em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.
  • Não deixe água parada em vasos, potes, bebedouros
  • Mantenha lixeiras bem tampadas
O descarte do lixo também é importante, visto que alguns recipientes podem acumular água por vários dias. Dica: este ano, se for pular carnaval na rua, leve seu copo de casa ou faça o descarte adequado em lixeiras.

 

Cuidado

  • Caso observe o aparecimento de manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados ou febre, busque um serviço de saúde para atendimento
  • Não tome qualquer medicamento por conta própria
  • Procure orientação sobre planejamento reprodutivo e os métodos contraceptivos nas Unidades Básicas de Saúde

Informação

  • Confira sites institucionais, como o do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais de saúde

 

Atenção!

Caso você esteja com suspeita de dengue, não se automedique. Isso porque alguns medicamentos podem agravar os sintomas causados por doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Entre alguns remédios a serem evitados estão o ácido acetilsalicílico.

Outro grupo de medicamentos contraindicados na suspeita de dengue são os antinflamatórios como ibuprofeno, nimesulida ou diclofenaco. E, sempre, em caso de suspeita de dengue, procure o médico e o serviço de saúde mais próximo.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o mosquito Aedes aegypti e as doenças que esta espécie transmite, que tal espalhar esta informação? Compartilhe esse artigo nas redes sociais para ajudar a prevenir estas doenças.

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