6 passos para garantir a acessibilidade na arquitetura

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A acessibilidade é a qualidade do que se faz acessível e alcançável. Na arquitetura, significa a busca pela projeção de espaços capazes de atender a todas as demandas possíveis, sem negligenciar questões estéticas e conceituais.

O desenvolvimento do projeto, a escolha dos revestimentos e o uso de dispositivos e acessórios são aspectos que, hoje, ganham muito mais importância para garantir a acessibilidade, a segurança e a autonomia em residências e em edifícios comerciais.

Apesar da importância da acessibilidade na arquitetura, muitos projetos ainda aplicam suas medidas de forma pontual, resultando em espaços não inclusivos e sem planejamento amplo. Por isso, separamos as melhores práticas para um projeto acessível. Confira mais no post!

O Desenho Universal

A busca por ambientes responsivos e adaptados não é um tema novo. A demanda por projetos acessíveis começou depois da Segunda Guerra Mundial, quando as edificações começaram a apresentar “barreiras” para a população e, na reconstrução de prédios públicos, foram propostas estruturas mais inclusivas.

Seguindo essa corrente e a Revolução Industrial, foi criado nos Estados Unidos o Desenho Livre de Barreiras, mais tarde conhecido como Desenho Universal. O conceito foi desenvolvido com base nas reivindicações de deficientes, que não se sentiam contemplados pelas estruturas e políticas públicas, e por um grupo de arquitetos, designers e engenheiros, que queriam democratizar o acesso e o uso dos espaços.

Essa corrente chegou no Brasil alguns anos depois, mais precisamente em meados da década de 1980, e resultou em novas medidas e leis para incorporar o tema ao cotidiano e estabelecer normas, além de novas ações da própria população.

O Desenho Universal contempla sete princípios: uso equitativo, flexibilidade no uso, uso simples e intuitivo, informação perceptível, tolerância ao erro, baixo esforço físico e tamanho e espaço para aproximação e uso.

acessibilidade na arquitetura

Legislação e medidas públicas sobre acessibilidade na arquitetura

A NBR 500, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), foi a primeira medida tomada por órgãos oficiais que reitera a garantia da acessibilidade. A Constituição Federal de 1988 também se refere ao direito, mas não chega a cobrar ações para tal.

As primeiras leis foram criadas em 2000 e se tornaram passíveis de cobrança apenas em 2005.

A proposta é difundir o conceito de Desenho Universal e estabelecer uma abordagem mais ampla, não restringindo apenas aos deficientes físicos, mas considerando quem tem dificuldades de locomoção, gestantes, idosos e obesos, garantindo o direito constitucional à acessibilidade.

Como é um projeto acessível?

O conceito de acessibilidade na arquitetura é aplicado diretamente na projeção dos espaços, na escolha inteligente dos revestimentos e na seleção precisa dos melhores dispositivos e ferramentas, como suportes, barras, utensílios domésticos, itens de decoração, artigos de sinalização, entre outros. Tudo isso em espaços públicos e privados.

O espaço deve se adaptar aos usuários, pois o movimento contrário, em que o usuário se ajusta, é incompatível com a proposta de inclusão e democratização.

Além disso, o campo da arquitetura deve lidar com todas as variáveis da população, ou seja, as orientações para os projetos ultrapassam o que é adequado apenas a deficientes e idosos, mas deve suprir as necessidades de todos, considerando fases e possíveis situações (período de crescimento das crianças e circunstâncias provisórias de fraturas, por exemplo).

Selecionamos 6 passos que asseguram a acessibilidade em qualquer projeto. Confira:

1. Traços na medida

O dimensionamento de toda a construção ou ambiente deve ser o primeiro fator considerado pelos arquitetos. De fato, é um dos critérios mais importantes, tendo em vista que facilita (ou dificulta) a adaptação do ambiente e a mobilidade.

Resumidamente, a arquitetura inclusiva deve oferecer circulação de largura mínima de 90 cm e altura de 2,10 m, além de vãos de porta de no mínimo 80 cm e diâmetro de 1,50 m para manobras de cadeiras de rodas em 360º em qualquer ambiente. Para conversões de 90º, os corredores devem ter 1,20 m de largura.

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2. Acessos funcionais e inclusivos

Para adaptar a construção às pessoas com mobilidade reduzida, o primeiro passo é garantir que o piso não terá irregularidades ou degraus que impeçam o acesso a qualquer lugar.

Rampas, plataformas e elevadores facilitam a locomoção dentro e fora das estruturas, mas devem estar disponíveis todo o tempo e não podem exigir um deslocamento ou afastamento dos outros acessos. A passagem deve ser, também, uma rota de fuga próxima a todas as áreas, sem dificultar a saída.

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No caso de rampas, a inclinação deve ser pequena, com largura mínima de 1,20 m, piso antiderrapante, patamares no início e no final, além de corrimão duplo para apoio e suporte.

3. Escolha correta dos revestimentos

O arquiteto e o decorador têm papel fundamental na escolha dos acabamentos finais. Um bom projeto garante que os pisos tenham uma textura minimamente abrasiva e antiderrapante, por isso, evite pisos polidos e de pedras.

Aposte em pisos naturais ou rústicos, mais resistentes, com rejunte menor e mais práticos de limpar. Não se esqueça da instalação de sinalizações táteis nos pisos, principalmente nas calçadas e no interior de edifícios comerciais.

4. Atenção às instalações elétricas e hidráulicas

Fios desencapados e soltos, falta de iluminação, tomadas e pontos de eletricidade muito baixos (ou muito altos), torneiras difíceis de manusear e pias e vasos em alturas inadequadas são alguns dos problemas mais comuns.

As principais orientações para engenheiros e arquitetos são: as tomadas devem ficar a 45 cm do chão e os interruptores a, no mínimo, 90 cm do chão. Já as bancadas com torneiras devem estar a 85 cm do piso, em média. A instalação de pias e vasos no banheiro deve ser acompanhada de suportes e barras de apoio em qualquer construção.

Valorize a iluminação natural, evite o escurecimento total do lugar e selecione lâmpadas e luminárias difusas e não ofuscantes. Não se esqueça de garantir também iluminação em caso de emergências.

5. Escolha dos móveis, artigos de sinalização e de decoração

O ambiente acessível pode contar com vários detalhes e adornos para deixá-lo charmoso e único.

Entretanto, cada escolha deve ser muito bem avaliada. Tapetes, por exemplo, são itens incríveis, que fazem diferença na decoração. Mas são pouco práticos e dificultam a mobilidade por serem soltos, apresentarem uma diferença em relação ao piso e, muitas vezes, impedirem a movimentação de rodinhas.

Os objetos mais leves e soltos são perigosos por serem facilmente manuseados e pouco estáveis. Os artigos mais indicados são aqueles que possuem cores e texturas diferenciadas, que contrastem com o piso e mobiliário. O estilo industrial e o minimalista se encaixam muito bem aqui!

6. Invista na tecnologia e na automação

A tecnologia é um fator que veio para auxiliar a vida cotidiana, e o ramo de automação, além de cada vez mais comum, oferece instrumentos que deixam os ambientes mais acessíveis e confortáveis.

Esses aparelhos promovem a segurança e a autonomia dos usuários, por meio do uso da voz, da biometria, de telas e de painéis que facilitam o controle de iluminação, de climatização, o movimento de portas e janelas, entre outros.

Percebeu como a acessibilidade na arquitetura depende de poucos ajustes? A proposta é facilitar e possibilitar o uso dos espaços por todos!

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